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A Mosca e a Formiga
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Uma mosca, cheia de si,
dirigindo-se à formiga, dizia :
- Eu vôo pelos ares e, tu, arrastas-te pelo chão! Nos palácios
alturas e tu, debaixo da terra, nas tuas covas escuras. Variados
alimentos ricos manjares, delicados petiscos, de tudo me sirvo
mal podes roer grãos de
trigo e alguns frutos a boa vida, passeando, voando daqui para acolá. Enquanto tu, não; é sempre no mesmo e fatigante trabalho.
Com certo desprêzo, a formiga respondeu :
- Velha fanfarrona, que tens que ver que eu despreze os fastos, as pompas e ande pela terra? Olhado em si mesmo, um palácio vale mais
que um formigueiro. Mas o palácio é do rei
é meu. Fui eu que o construí com meu trabalho e o meu esfôrço. E tu, que fizestes? Nada mais fazes que zunir
O que eu como e o que tu comes é por nós furtado.
Usas da mesma arte que eu uso. Mas há diferença entre nós duas, e muito grande.
É que enquanto eu trabalho,
tu, preguiçosa, vives a aborrecer os outros que te enxotam.
Ademais eu sirvo de exemplo aos homens pela minha diligência e pelo meu trabalho, porque sou prudente
e faço provimentos quando chega o inverno. E quando bate os primeiros ventos frios, tu e os da tua raça
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